Rui Rangel - O paraíso das smartshops
Publicado a 25 Mai 2012
Secção: Coluna dos Associados |
Rui Rangel
Direcção do Instituto da Democracia Portuguesa
O País e as famílias deste País, que perdeu o rumo e que caminha para o abismo, sabem que as smartshops são lojas de drogas, que a coberto de uma estranha e duvidosa legalidade, vendem muitas substâncias não estudadas, sendo que algumas delas são responsáveis por crises de ansiedade, ataques de pânico e surtos psicóticos que provocam na população jovem.
Sabem que estas substâncias, com a capa da santa inocência, são responsáveis e a causa de idas dos jovens às urgências psiquiátricas. Sabem que elas podem existir em qualquer bairro onde circulam os nossos filhos ou perto das escolas. Sabem que são lojas com uma estranha aparência de normalidade, que têm nascido como cogumelos, sem ruído, sem consciência e sem informação devida e adequada. A maioria da população desconhece esta realidade e este perigo a que a lei dá cobertura. Uma lei pouco clara, vaga e cheia de lacunas, feita de propósito, para deixar entrar pela porta aquilo que nunca devia entrar no País. E sabem que as etiquetas que suportam estas substâncias, dizem, para enganar, o Zé-povinho: ” produtos não destinados ao consumo humano”, ” incensos” e “chás”. Passam recibos e pagam IVA a 23%.
Nos sites da internet, apenas, o que se pergunta é se o cliente tem 18 anos, sem mais nenhuma informação suplementar. O seu público-alvo são os jovens deste País, que tem a política da droga e da toxicodependência como a décima quarta prioridade nas preocupações do executivo. O desemprego, a droga, as políticas de natalidade/envelhecimento da população e a falência do Estado Social deviam ser as grandes prioridades do Governo, como acontece nos países civilizados. O que está em causa com as ‘inocentes’ smartshops é a saúde dos jovens. A saúde dos jovens alimenta um negócio ‘das arábias’. A falta de informação, a ignorância das famílias, preocupadas mais com a crise, ainda não pararam para pensar e para perceber as consequências negativas e perigosas destas substâncias (i)legais. O produto que dá o nome à loja mais conhecida da capital, o chamado “cogumelo mágico”, é ilegal no país mais permissivo de todos os tempos em relação às drogas, a Holanda.
É preciso debater, discutir e alertar a opinião pública para os malefícios desta lei e combater a banalização da droga. Quem ganha e quanto ganha com este negócio? Os responsáveis pelas políticas da droga em Portugal, o que fizeram, o que debateram, o que esclareceram e o que denunciaram? Estas são questões de todos nós, de quem pensa no outro, de quem é solidário e de quem tem amor pelo próximo. Não são só questões dos médicos. O juiz também pode e deve pensar sobre a droga e a toxicodependência. Quem assim pensa, não pensa e não sabe o que diz. Ninguém pode ficar indiferente. A indiferença mata-nos a todos.
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[...] Alerto para este texto de Rui Rangel, de um abominável paternalismo de quem quer dizer aos jovens o que estes devem ou não fazer com o seu corpo. Curioso é que não vejo nenhum destes ilustres senhores atacar o vinho, que não só mata, como além disso paga menos IVA que a água engarrafada. Até ver, as drogas – termo também ele curioso, visto que o tabaco, a cafeína, o álcool e muitos dos medicamentos que se vendem sem receita médica também podem caír no termo – recreativas sintéticas, naturais ou adulteradas não têm morto tanta gente como os padroeiros dos bons costumes nos querem fazer acreditar. Mais uma vez, curiosamente, não se conhecem por aí casos de tipos a fumar “charros sintéticos” e que chegam a casa e espancam a mulher e a filha. Curiosamente não devem ser muitos os casos de violência provocados pelos “chás” e cogumelos que o Rui refere. Já o vinho, caríssimos, esse é origem de muitos. Querem combater a banalização das drogas ? Sejam coerentes e fechem as caves do vinho do porto, que por lá se originam inúmeras cirroses e cenas de pancadaria. Agora a sério. Haja o bom senso de em pleno século XXI se perceber que as pessoas não podem ser postas na cadeia por “crimes sem vítimas”. Até D. Duarte percebeu isso. Poder-se-ia pensar que com isto estaria a fazer a apologia das drogas. Nada disso. Independentemente da minha opinião sobre as drogas sintéticas – e adianto já que comigo cogumelos só na comida chinesa – o que está aqui em causa não é uma visão positiva – ou negativa – em relação a este fenómeno, mas sim o reconhecimento do direito dos jovens maiores de idade à liberdade de tomarem o que lhes der na gana. E conhecendo bem os jovens – pois também ainda o sou – sei que o vão fazer, com ou sem proíbições. Sendo que a morrer alguém, morrerá mais facilmente por consequência das adulterações que se verificam no mercado negro que pelas substâncias em si. Aliás, a grande prova disto é que uma das causas da popularidade das Smartshops é a própria proíbição da marijuana, que torna mais seguro – apesar do óbvio prejuízo para a saúde quando se faz a comparação – o consumo, visto que é legal. Classificar isto:Share this:FacebookTwitterStumbleUponEmailMaisPrintDiggLinkedInGostar disto:GostoBe the first to like this artigo. Deixe um Comentário [...]
[...] Alerto para este texto de Rui Rangel, de um abominável paternalismo de quem quer dizer aos jovens o que estes devem ou não fazer com o seu corpo. Curioso é que não vejo nenhum destes ilustres senhores atacar o vinho, que não só mata, como além disso paga menos IVA que a água engarrafada. Até ver, as drogas – termo também ele curioso, visto que o tabaco, a cafeína, o álcool e muitos dos medicamentos que se vendem sem receita médica também podem caír no termo – recreativas sintéticas, naturais ou adulteradas não têm morto tanta gente como os padroeiros dos bons costumes nos querem fazer acreditar. Mais uma vez, curiosamente, não se conhecem por aí casos de tipos a fumar “charros sintéticos” e que chegam a casa e espancam a mulher e a filha. Curiosamente não devem ser muitos os casos de violência provocados pelos “chás” e cogumelos que o Rui refere. Já o vinho, caríssimos, esse é origem de muitos. Querem combater a banalização das drogas ? Sejam coerentes e encerrem as caves do vinho do porto, que por lá se originam inúmeras cirroses e cenas de pancadaria. Agora a sério. Independentemente das consequências da alteração de comportamento provocadas por drogas, nas quais se inclui o álcool, sou a favor da punição a posteriori. Haja o bom senso de em pleno século XXI se perceber que as pessoas não podem ser postas na cadeia por “crimes sem vítimas”. Até D. Duarte percebeu isso. Poder-se-ia pensar que com isto estaria a fazer a apologia das drogas. Nada disso. Independentemente da minha opinião sobre as drogas sintéticas – e adianto já que comigo cogumelos só na comida chinesa – o que está aqui em causa não é uma visão positiva – ou negativa – em relação a este fenómeno, mas sim o reconhecimento do direito dos jovens maiores de idade à liberdade de tomarem o que lhes der na gana. E conhecendo bem os jovens – pois também ainda o sou – sei que o vão fazer, com ou sem proíbições. Sendo que a morrer alguém, morrerá mais facilmente por consequência das adulterações que se verificam no mercado negro que pelas substâncias em si. Aliás, a grande prova disto é que uma das causas da popularidade das Smartshops é a própria proíbição da marijuana, que torna mais seguro – apesar do óbvio prejuízo para a saúde quando se faz a comparação – o consumo, visto que é legal. [...]